quinta-feira, maio 08, 2008

Ele há fatos e factos...

Há uns dias recebi no meu Gmail, um e-mail do Rafeiro Perfumado, que, gentilmente convidava todos os bloggers endereçados a fazer um post à meia-noite e um de quarta feira em forma de protesto contra o novo acordo ortográfico, e colocar na barra lateral umas coisas engraçadas... Infelizmente (ou não) tal não foi possível, por questões pessoais, mas, o repto ficou, e, cá estou eu para falar sobre essa temática que está tão na berra, e, sobre a qual, já muito se disse, mas há sempre algo mais a dizer.

Se há algo que vai mudar drasticamente, segundo o novo acordo, são os "cc" e os "pp" que vão cair. Ora, se nalguns casos faz todo o sentido que o "c" ou o "p" caiam, porque são mudos, casos de "cacto", "óptimo", "acção", "baptismo", etc. Outras há que não é bem assim...

Vou então catar a atenção do leitor para alguns exemplos mais ridículos...E sim, já enunciei um deles! Imaginem, que a partir de agora, a condição dum bom orador, já não passa por captar a atenção dos ouvintes, mas por catar...bom... E se os ouvintes tiverem lavado o cabelo?

Bom, mas há uma coisa positiva, mesmo muito positiva com o novo acordo... Vai deixar de haver raptos! Mas, por outro lado, vai passar a haver mais ratos, o que não é necessariamente melhor. Se fossem ao menos ra... vá, deixemos a ordinarice de parte!

O que é engraçado de ver, é que nunca mais vamos discutir factos. A partir de agora discutem-se fatos! Já estou a imaginar o primeiro-ministro gritar da tribuna: Massimo Dutti! E um daqueles deputados gordos e velhos a aplaudir, grunhindo lá atrás, "Muito bem", seguido de uma resposta do PSD, do tipo "Tu querias era este Georgio Armani!" Bom, escusado será dizer, que, estas mudanças, vão levar rapidamente ao suicídio de Francisco Louçã, que, se antes até trazia alguns factos bem incómodos, o único fato que tem em casa deve ser o fato-macaco! Não, senhor Alberto J. Jardim! Não é fato de macaco, esse continua o senhor com a exclusividade...
E se antes, andar bem parecido era importante para se ser um bom argumentador, agora é indispensável. Pois, se antes, "de facto, o senhor tem razão", agora, "de fato, o senhor tem razão", isto é, só temos razão se ostentarmos a gravatinha, as calcinhas bem passadinhas a ferro e o bom do jaquetão! Mais uma razão para o suicídio do sr. Louçã...
E já agora, questiono-me... Qual é a diferença entre um casamento e uma união de fato?

Outra coisa muito gira, é que deixa de haver pactos e passa a haver patos. Estou já a imaginar os bons dos comunas em excursão à Polónia e pedirem todos um "pato de Varsóvia". O mais provável é que saiam de lá de barriga vazia, porque agora os patos são outros, ora, por exemplo o pato de estabilidade e crescimento.
E agora imagine-se, que há uns tempos se assinou o pato para a justiça! Tenho a impressão que à educação calhou uma vaca...

É assim a nova ortografia! Subam-se os fatos, e esqueçam-se os factos!Façam-se patos, que o que não falta é quem coma!

sexta-feira, maio 02, 2008

Os Sindicatos

Passou mais um dia do trabalhador e, eu, como nem tenho mania nenhuma de ser do contra, decidi fazer um texto algo constrangedor e polémico numa altura inoportuna e desadequada. Isto é, numa altura em que se devia enaltecer as conquistas dos direitos dos trabalhadores, venho, por este meio, criticar os sindicatos...

Os sindicatos são praticamente parasitas sociais! Falam, falam, falam, mas não os vejo a fazer nada! E é verdade! A existência dos sindicatos, é por natureza, condenada à arte de bem reclamar... E, é por vezes, tão ou mais condenada, que, se não há nada para protelar, inventa-se! Congelamento de ordenados! 'Tá Mal. Aumento de salários de 2%: 'Tá mal, devia ser 4! Aumento de salários de 100%, 'Tá Mal. Devia ser 200! Depois chegam as greves (a uma sexta, que dá mais jeito) e lá vem o governo com os seus 0,05% e os sindicatos com os seus 99,95%.
Há outra coisa que está muito mal nos sindicatos, pelo menos a meu ver, que é o financiamento. Para além de os trabalhadores, terem um "x" de descontos para o sindicato, o governo também contribui com uma percentagem, em muitos casos, bastante boa, para as massas reivindicativas. Se por um lado, pode parecer bom, que o estado apoie a capacidade, e o direito dos trabalhadores a manifestarem-se, a revoltarem-se, a bater o pé, por outro prisma, é possível constatar alguma prisão de movimentos aos sindicatos, isto é, o governo diz, "vá, a gente dá-vos o carcanhol para se manifestarem, mas se reclamarem de mais nós cortamo-vos com o subsídio!". E aí, pronto, reclama-se, mas é só até não dar mau aspecto, assim, uma coisa mais de fachada...
Outro grave problema dos sindicatos é que, quando se entra nos sindicatos, deixa-se de ter contacto directo com o sector que se representa, isto é, sou trabalhador da profissão x,y ou z, mas, ou por ter uma boa retórica e/ou por ter bons contactos, tornei-me dirigente do sector x,y ou z, por conseguinte, quando é preciso reivindicar direitos para o sector x,y ou z, lá estou eu de bandeira e megafone em punho, e subo ao palanque para mandar uns "bitaites". No entanto, como há quase 20 anos que já não faço outra coisa senão ser sindicalista, pouco ou nada sei (na primeira pessoa) sobre os problemas concretos da profissão x,y ou z. Conclusão, prego um sermão muito bonito, mas que só os peixes ouvem... Bom, mas ao menos ainda tenho quem me vá sustentando...
Ainda para mais, os sindicatos em Portugal, como quase tudo, são partidarizados, ou seja, quando o PSD, está no poder, há dois poderes sindicais, quando o PS, está no poder, só existe CGTP. Se algum dia houver uma coligação PCP-PS, deixa de haver sindicatos...

Ora, com tão bons apoios, um financiamento tão próspero, pouco ou nenhum trabalho de vergar a mola, começamo-nos a aperceber que ter um sindicato é mais um tacho! Daí, é fácil ver uma sucessão lógica de acontecimentos. Ser do sindicato é um tacho, é fixe ter um tacho, vamos todos ter um tacho, vamos todos ter um sindicato! Resultado: Existem sindicatos a mais, gente a mais a pastar (para não ser mais incorrecto) à custa do trabalhador que verga a mola, produtividade a menos, lábia a mais... Por exemplo, existem 14 sindicatos só para os professores! Sim, a ministra faz muita porcaria (para não ser mais incorrecto, mais uma vez), mas "haberia nechechidade?"

E faço a pergunta no geral. Haveria necessidade para tanto sindicato, tanta hipocrisia, tanta "falsa luta social"? Seria talvez uma boa altura de os trabalhadores, de certos sectores começarem a analisar melhor, quem querem que os defenda, ou caso contrário, qualquer dia temos o sindicatos vendidos (mais uns) ao poder económico...

sábado, abril 26, 2008

O meu 25 de Abril

Retomo a actividade neste blog, para falar do meu 25 de Abril, não o de 1974 (este muito antes sequer dos meus pais se conhecerem), mas o de ontem, 34 anos depois da dita revolução dos cravas...Cravos, quero eu dizer! (por vezes a boca foge-me para a verdade).

Levantei-me por volta das 10h30, com a fanfarra dos bombeiros a tocar lá fora na rua, dando os "vivas" à revolução de Abril e, liguei a televisão na RTP, para ouvir e ver a sessão solene na Assembleia da República... Ouvir o que a nossa digníssima e excelentíssima classe política tinha a dizer acerca de um marco tão importante para a nossa história.

Já apanhei a meio, o discurso do deputado do PP, o mais jovem por sinal, esse mesmo partido que chegada esta altura, ainda não decidiu se há de festejar a democracia, a liberdade, ou se há de chorar a perda dos sacros valores salazaristas, a perda de posses da igreja e a perda de importância dos militares. Depois veio o deputado do PSD, o mais jovem também, falar de "iniquidades" blá blá..."desresponsabilização" blá blá... défice blá blá... "ambiguidades" blá blá..."valores da democracia" blá blá... "liberdades individuais" blá blá... e um demais número de palavras vazias, inócuas e sem qualquer sentido para o mais comum dos portugueses. Um discurso com algumas postas de pescada assim para o ar, a ver se a corrente de ar da assembleia as leva para o sítio certo, mas pouco mais do que as ténues críticas algo rebuscadas e descontextualizadas de um partido que continua à procura da melhor maneira de fazer oposição às suas próprias ideias...

A seguir subiu ao palanque o senhor deputado do PS com o mesmo discurso inócuo, vazio, lembrando um 25 de Abril que parece ter sido já há mil anos atrás, com um significado meramente histórico, mas muito pouco prático, mas houve algo que se salientou do discurso deste: "Esta é uma democracia em que até a existência de partidos anti-democráticos é permitida". Bom, valha-nos ao menos a sinceridade e honestidade de um político, algo que hoje em dia é muito raro, então assumir os nossos próprios defeitos é, de facto, um gesto notável!

Depois começou a falar o excelentíssimo presidente da Assembleia da República, e, o seu discurso, foi, utilizando palavras politicamente soantes, deveras aborrecido e entediante, traduzindo, foi uma seca tal que desliguei a TV e já nem vi os discursos do Presidente da República (olha outro!) dos Verdes, do Bloco e do PCP, partidos claramente mais afectos à revolução de Abril, e, segundo vi no resumo à noite no Telejornal, bem mais críticos... Só para variar!

Comum aos dois partidos maioritários, a saudação por se ter assinado dois dias antes um tal Tratado de Lisboa, que pelas palavras dos mesmos vai reforçar a posição de Portugal na Europa e no Mundo, mas que, na minha opinião, só vai aumentar ainda mais a mobilidade de políticos portugueses de tachos no nosso país para tachos na Europa, e dando uns pulinhos na ONU, na NATO, e outras que tais... Mais gravoso que isso, é o facto de o Tratado ser algo obscuro para a maioria dos portugueses, e, de não se ter feito sequer um referendo sobre algo tão importante e, citando, o nosso querido Primeiro-ministro "um marco histórico na via do país e da Europa"... Se é assim tão histórico, comemoramos a nossa liberdade, porque não se pergunta ao povo (o tal que mais ordena) se queremos MESMO esse tratado...

Outra questão, talvez a que os meios de comunicação social deram mais destaque, foi o desinteresse dos jovens pela cidadania e pela política... O governo e o PR foram dos mais críticos nesta matéria... Se por um lado, dizem que há que cativar os jovens a terem uma vida activa, social e politicamente, por outro lado, dá jeito que a juventude esteja um pouco à parte destas questões, não vá agora surgir uma geração de jovens revolucionários que possa dar cabo deste sistema.

Bom, mas se há muita negligência por parte dos partidos, há também muita ignorância em relação à nossa história (bom, é mais que sabido que as aulas de história não são conhecidas por serem as mais cativantes), por parte dos nossos jovens, uma geração que se diz "rebelde", mas que, se mostra muito vazia de ideias e ideais, uma geração que a meu ver, nunca houve outra com tanto, mas também nunca houve outra com tão pouco, ou seja, num país em que os pais dão tudo de mão beijada aos filhos, em que, felizmente vai havendo posses para sustentar os estudos, as saídas à noite, os excessos da vida, num país em que é quase preciso um requerimento para chumbar um aluno, e em que se proíbe um jovem são, com corpo, sem grandes possibilidades quer mentais, quer económicas de prosseguir os estudos, de trabalhar, a minha geração, nunca teve muito por que lutar, nunca teve muito que trabalhar para alcançar uma conquista...

Só que, a nível internacional, infelizmente os tempos são de mudança, e, o país, e muito mais esta juventude, não estão preparados para enfrentar a mudança drástica político-económica que o mundo se prepara para atravessar. Há que repensar se queremos que esta seja a revolução dos cravas, ou se de facto, está na altura de agir, de nos libertarmos, de vez!Libertar-mo-nos de todos os tabus! Libertar-mo-nos do fantasma do Botas de Santa Comba! Libertar-mo-nos das malhas de um sistema político cada vez mais podre, e empedernido pela corrupção, o tráfico de influências e a hipocrisia! E porque não, libertar-mo-nos um pouco desse polvo que é a Europa, antes que seja tarde de mais e caiamos no abismo, arrastados por essa corrente de um capitalismo cada vez mais espremido e com mais buracos à vista!

O meu 25 de Abril acabou no teatro com uma Revista do Teatro Sá da Bandeira... Ridendo castigat mores, está na altura de encararmos a sátira e as gargalhadas de uma forma um pouco mais séria, e olhar com preocupação para o estado de coisas do nosso país. Afinal, para 41% da nossa população, Salazar foi o maior dos portugueses...

terça-feira, janeiro 01, 2008

Portugal está Podre!

Portugal está podre e a democracia é uma ilusão! Desengane-se quem pensa o contrário! Pouco me interessa se estamos a crescer 1,2% ao ano ou 10%, estou-me pouco cagando se o défice é 6 ou 2%. Mas olho para a nossa classe política, para as pessoas que, supostamente nos representam, olho para as nossas instituições legais, para o nosso Estado, e só consigo sentir ódio, escárnio, repulsa, uma raiva imensa!
Como é que alguém tem a lata de assumir um título sem o direito para tal? Como é que alguém compra, deliberadamente, um curso superior e depois tem a lata de se candidatar a primeiro-ministro como ENGENHEIRO Sócrates? É um facto, aquele homem não tirou o curso... Pelo menos a avaliar pelo "Inglês técnico" dele. Só de alguém sem vergonha na cara mesmo! Que se candidatasse só como José, sem a porcaria do Engº atrás! Contra Santana Lopes e com as costas aquecidas como as dele, até um pescador (profissão infinitas vezes mais digna que pseudo-engenheiro falseado) analfabeto ganhava as eleições! Para quê? Como é possível, depois de umas boas gargalhadas e umas bocas indirectas, ele escapar ileso? Como é possível uma falta de honestidade, de humildade, de consciência tão bárbara?
Depois olho para a recente polémica no BCP, e vejo o PSD a acusar o PS de ter vários membros na, até-então única, lista para a direcção... O que acontece no dia a seguir? Miguel Cadilhe a liderar a outra lista! Miguel Cadilhe, PSD? Nada a ver! Que ideia! É só hipocrisia... Mas é que é assim em tudo quanto é poleirozito que dê uns trocos! É só tachos "Eles comem tudo e não deixam nada"... E o pior é que o povo pouco ou nada come... E CALA!
Ao menos um vestígio, um gesto singular que seja de indignação, de revolta, alguém que denuncie, que tente fazer algo mais para parar com isto! É por nós não nos organizarmos, não fazermos nada, que eles fazem o que querem!
E o pior, é que os nossos supostos representantes não querem fazer aquilo que nós queremos, mas apenas aquilo que alguns, mais poderosos, mais influentes, com muito mais dinheiro pedem que eles façam! Houve a proposta para haver uma taxa sobre os sacos plásticos, com vista a reduzir o impacte ambiental. O Sr. Belmiro de Azevedo reclamou, já não se faz é nada! Expliquem-me o porquê de se privatizar a GALP, a EDP e a BRISA. Não estavam a gerar receita para o estado? Se não davam lucro, como havia privados interessados em comprar? Cheira-me a hipocrisia, MAIS UMA VEZ!
E mais! Não deveria ser o Estado o primeiro a defender o interesse público? Pois a mim, parece-me que é cada vez mais o último! Fecham-se urgências, hospitais, maternidades, escolas e não se criam condições de mobilidade para os cidadãos! Em contrapartida dá-se carta branca aos hospitais privados para avançarem... E quem não tem dinheiro para uma consulta numa clínica privada? Não tem direito à saúde! Falha um direito consagrado na Constituição! O povo manifesta-se, mas parece não ser suficiente. Custa a entrar, mas vai!
Estamos a vender o nosso país! Ao sector privado, também, mas pior! Estamos a vender-nos à Europa! Que sonho tão bonito... Ah! Os países todos de mãos dadas numa paz, desenvolvimento e união harmoniosos... Tão bom! É UMA ILUSÃO! O tratado da Europa, aquele mesmo que tanto nós nos gabámos de ter sido assinado na nossa presidência, é a autorização para o nosso extermínio! Venham ingleses, saquem o nosso Porto, venham espanhóis, levem a nossa electricidade, de que estão à espera, franceses? Tanto leitinho açoreano, é todo vosso! E venham, alemães, montem aqui fábricas que os nossos trabalhadores são baratos e gerem riqueza para o país! (o vosso...). Pilhem, saquem, levem tudo quanto houver! Mas só o que de bom cá há! Porque o que é mau gostamos nós de ter!Pior que invasões bárbaras! Porque NÓS autorizamos!
Portugal está podre e a Democracia é uma Ilusão! Chavez não é democrata, mas faz um referendo a perguntar se pode ter um mandato vitalício! Democracia a sério é a portuguesa! Faz-se um tratado a determinar o nosso suicídio, enquanto nação, e não se consulta o povo... Ah! O povo é quem mais ordena... Tchii... Ao tempo que isso já lá vai! Democracia é em Portugal! Pressões sobre jornalistas? É democracia! Processos disciplinares a professores ou a administradoras que expressem a sua opinião fundamentada e livre desfavorável ao governo? É democracia!
E é democracia porque nós deixamos fazer! Porque é muito mais interessante saber quem ganhou a porcaria do casamento de sonho ou quem é a família mais Superstar do país! Porque é mais escandaloso o Scolari dar um soco num sérvio, do que a vacina contra o cancro do colo do útero não ser comparticipada! Porque é melhor ganharmos o Euro 2008 do que termos um país mais justo e mais desenvolvido! Eu luto por esse país! Tento através dos meus textos humildes e lidos apenas por algumas dezenas de portugueses incentivar a um espírito mais crítico, mais atento...

Mas o povo é cego, Portugal está podre e a democracia é uma ilusão!

quinta-feira, dezembro 20, 2007

A degradação do Natal

As luzes lá fora iluminam toda a cidade,
Pelas ruas e avenidas, vai para aí um encandeamento
E que piscam para as pessoas como estrelas de verdade
E que limpam como vassouras todo o lixo e sujidade
E que, no entanto, não escondem o bruto cimento

Ó betão enegrecido pela humidade mais entranhada,
Ó alcatrão embebido em óleo dos veículos motores!
Trânsito lento, avenida congestionada,
Buzinadela valente, malta desesperada
E as luzes brilham, serenas, multicolores...

Chamam como sereias, para as suas sete maravilhas...
Brinquedos, perfumes, roupas e bugiganga
Doces tentações, carros, tecnologias,
Atraem multidões loucas, todos os dias,
Que no dia seguinte, se arrastam, de tanga.

Assassinem-se as carteiras e a estabilidade económica!
Se há tanto crédito fácil, e na hora, por aí!
Alimente-se a sociedade que morre de doença crónica,
Do capital, que não passa de papel, de forma irónica,
Suicidem-se os loucos que resistem aqui e ali!

Ergam-se os Belmiros e os mongolóides da Madeira,
Chamem os carneirinhos com as vossas luzinhas,
Basta dar-lhes pastos com ervinha porreira,
Centros comerciais para compras à maneira,
Que enchem malas de milhões de carrinhas!

Tempos modernos ou ritmos frenéticos...
Talvez nunca o tempo nem seja todo igual
Talvez o espírito e o Cristo já estejam caquécticos
Vão-se desvanecendo e dão razão aos Cépticos...
Talvez um dia, desapareça o Natal...

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Putin é fixe

O partido de Vladimir Putin venceu as eleições para a Duma com quase 70 % dos votos e, por isso, decidi fazer um texto em homenagem a esse grande governante da actualidade...

Putin é fixe!


O Putin é fixe e as eleições na Rússia foram as mais democráticas de sempre!
Se não fossem democráticas o Putin não tinha ganho!
E mais! O Putin é um grande democrata! (pelo menos foi o que ele me obrigou a dizer)
O Putin não manipula, negoceia com uma faca no pescoço!
O Putin não manda matar ninguém! Pede apenas, que eliminem as pessoas "desnecessárias"...
O Putin não é corrupto! É apenas, muito generoso!
Mas digam lá que não é um bacano? Sim, o Putin!
O Putin não é pequeno... Os outros é que são grandes!
O Putin não é direito de mais! Os outros é que são tortos!
O Putin não é violento! Os outros é que lhe querem fazer mal...
O Putin não têm as costas aquecidas... Os outros é que as têm frias (que o diga o Litvinenko)
O Putin deve ser servido frio com muito caramelo! (Ops... Esse é o pudim)
O Putin é fixe!
Aliás, o Putin não é fixe! É Fixíssimo!
O Putin é aquele gajo que, se eu encontrasse na rua, pagava-lhe logo um copo.
Um copo não! Eu pagava um jantar a esse grande governante, o Putin!
Se eu fosse mulher eu queria ir para a cama com o Putin!
E nem me importava nada de lhe passar a roupinha toda a ferro...
Fogo! O Putin é sensual! Aliás, é podre de sensual!
Ok! Mas não ao ponto de eu gostar dele... dessa forma claro!
É o melhor amigo do mundo!
Eu queria ir ao futebol com o Putin!
Eu queria ir ao Casino com o Putin!
Eu queria fazer uma sardinhada nas traseiras do Kremlin com o Putin!
Eu até comia o Putin com o pudim!... Aliás... Comia pudim com o Putin!
Sim, e queria beber muita Vodka com o Putin!
Fogo... Vai um brinde ao Putin!
E se o Putin quer fazer parte da malta, tem que beber este copo até ao fim...
Viva o Putin!
Pá, o Putin é mesmo fixe!
O Putin é mesmo um porreiraço!
Fogo, o Putin é a melhor pessoa do mundo!

Putin é fixe!

P.S.: Nunca sabemos quando o KGB anda a ler e investigar este blog...

sexta-feira, novembro 02, 2007

Entre a Chuva Dissolvente

No meu caminho de casa, dou comigo na corrente dessa gente que se arrasta. Pelo túnel do metro, no meio da confusão vejo toda essa multidão que faz o dia-a-dia sem destino. Muito poucos elementos dessa massa imprevisível de pessoas - a multidão - têm um destino, que não seja o das suas casas, o das compras, o de um pouco de diversão com os amigos, poucos têm intrínsecos neles um objectivo de vida, algo por que valha mesmo a pena lutar.
Têm um emprego que vai dando para suportar as despesas do quotidiano, quiçá a passeata ao Domingo, quiçá o almoço fora ao fim-de-semana, mas muitos daqueles que sonhavam ser super-heróis, astronautas, marinheiros, futebolistas, olhem para eles, agarrados a um PDA, ou de phones nos ouvidos, ou de braços cruzados, vendo a vida passar-lhes lenta e custosamente ao lado.
E esses são os que sonharam alguma coisa, pois muitos, nem nunca sonharam ser alguém, viveram desde crianças com o simples intuito de ir vivendo, de ir fazendo a vida, com aquela expressão muito portuguesa "cá se vai andando...".

E esses putos, que cresceram sem se ver, bastou pô-los em frente da televisão, em dois anos ou menos, saltam da fantasia do Disney Channel ou do Canal Panda, para a vida da noite. Não são, já, raros, os casos dos e das jovens que se iniciam na vida nocturna, nos bares e nas discotecas aos 13 anos de idade. E das gomas e dos chocolates passaram para o maço do tabaquito, e depois para o cannabis e para o Ecstasy e depois as drogas mais pesadas.
Depois há as misturas. Mistura-se tudo. Temos os shots misturados com ecstasy, com Xanax, com Viagra, e temos essas pessoas, esses que deviam ser os homens de amanhã, mergulhados no vício, com o corpo, o cérebro e a personalidade destruídas. E tudo, só porque queriam experimentar, porque queriam ser os mais cool daquela festa.
E porque queriam ser as mais cool da festa, e estavam podres de bêbedas e completamente possuída por alucinoigéneos e misturas francamente perigosas, deixaram-se ir na onda, e deixaram-le levar por um grunho qualquer, que, perdoem-me a expressão tão baixa "queria mandar a foda!". Deixam-se levar e esquecem-se ou querem-se esquecer dos preservativos (já me lembrei...Já me esqueci!) E depois queixam-se que estão grávidas aos 13, 14 ou 15 anos. Por uma noite inteira de prazer lixaram toda uma vida cheia de sonhos, projectos para um futuro perfeito, ou então não...
Sim, porque muitas vivem só para as compras e para serem as mais cool, e não têm um projecto de vida, algo pelo que lutar... É uma geração que tem tudo o que quer e nunca precisou de lutar por nada, talvez por isso uma geração rasca. E com os rapazes é igual. Ler a Bola e o Record, comentar Hi5 e Fotologs das miúdas, sim! Projectos para o futuro!? Que os façam os meus pais... Parece ser uma juventude algo desinteressada, algo indiferente ao que se passa, mas é de facto o que se passa. Quantos da minha idade estão interessados se está o Sócrates no governo ou outro ladrão, quantos desses jovens sabem de facto, a importância do 25 de Abril, quanto mais quem foi Salazar ou Álvaro Cunhal? Se souberem dizer que o Mário Soares é um velho bochechudo já têm o QI acima da média!
Enfim, esta juventude está perdida!
Sim, pareço as velhotas de sessenta e tal anos no corte e costura, mas em muito do que dizem têm muita razão. Antes procurava-se um emprego para a vida, uma mulher para a vida, uma família. Hoje procura-se o imediato, o inconsequente, o descartável. É o amor descartável e material, é uma bebedeira das fortes, esquecendo a ressaca do dia a seguir, é o esbanjar o dinheiro para dançar uma noite inteira ao som de dois acordes (e já é muito) e puntz-puntz! Os pais pagam! E não só pagam, como os negligenciam desde as dez ou onze da noite e vão buscá-los às tantas mais algumas. O que recebem? No mínimo uns insultos ingratos, no máximo um neto inesperado.
E eu podia estar aqui a falar e falar, a comentar, dissertar, tanta, mas tanta coisa, que está mal nesta juventude, nesta geração maioritariamente rasca na qual me insiro, unica e exclusivamente por ter a mesma idade, mas prefiro também deixar espaço aos leitores nos comentários para dizerem o que vai mal nesta juventude... O que vai mal neste mundo tão rotineiro... O que leva tanta gente à corrente desta gente que se arrasta...

sexta-feira, outubro 26, 2007

Astronomia... Porquê?

Quando conhecidos me encontram na rua e me perguntam para que curso entrei e eu respondo "Astronomia", as reacções são as mais diversas e, muitas vezes, bem surpreendentes. Desde uma expressão de quem viu a Maria de Lurdes Rodrigues nua (sim, essa mesma com que vocês estão agora), acompanhada por um "Eaugh" de repúdio e enojamento, passando por um "As...como!? Oi!?" até ao muito frequente "Gastronomia!?" e o pensamento subsequente do tipo "aquele é maricas, vai para cozinheiro". O que vale, é que há uns poucos que conhecem a palavra e o curso e lá dão aquelas opiniões cientificamente fundadas do tipo "Cromo!" ou "Ah..." E naquele momento de hesitação em que parece que vão dizer qualquer coisa mais, estão simplesmente a pensar "Pobre coitado. Não tinha média para mais nada. Deve ter sido a última opção".

Depois disto, lá vem a perguntinha da praxe (e sabendo eu neste momento, melhor que nunca o que esta palavra significa): E isso tem saída? (Leia-se “isso” como "essa coisa asquerosa à qual alguns chamam curso") Eu lá respondo, peremptoriamente: Em Portugal não, mas por essa Europa fora o que faz falta são astrónomos. Não é que em Portugal haja muitos. O problema é que nem sítio para trabalhar há!

Independentemente de tudo isso, hoje em dia ninguém pode ir para um curso SÓ porque tem saída. Eu podia ter caído nesse erro, e bem posso agradecer às pessoas que me abriram os olhos a tempo, especialmente à minha namorada e também aos papás, o facto de não ter ido para Engenharia Mecânica, ou outra Engenharia Qualquer. Sim, porque engenharia está na moda. E está na moda dizer que engenharia tem saída. Até se podem formar 5 mil engenheiros por ano... Que há saída para eles todos! Acham mesmo? Acham mesmo que esses médicos e biomédicos e cardiopneumonologistas, ou neurofisiologistas, ou fisioterapeutas que estão a ser formados vão ter TODOS saída só porque estão na área da saúde? Bem podem rezar para que venha uma grande epidemia. Meus amigos, quem é bom tem saída, sempre! Quem é mau, arrisca-se a andar ao sabor do vento. A nossa sociedade meritocrática obriga-nos a ser, não dos melhores, mas os melhores, estejamos em saúde, engenharia, área de investigação, ensino, etc.

Há ainda outros factores que influenciam em muitos casos, na escolha do caso. Felizmente comigo não aconteceu isso, mas o facto é que há muita gente em Portugal que ainda tem o estigma que há cursos e profissões mais prestigiantes que outros. Médicos e advogados, por exemplo. Basta terem a licenciatura em Medicina ou Direito que são logo todos Senhor Doutor para aqui, Senhor Doutor para acolá. O Astrónomo e o Físico são aquele tipo de profissões que nem cabe no leque das profissões. "Ah, eu só Astrónomo" "Ah sim? E qual é o teu emprego?"...

É um facto que a investigação científica, nomeadamente, no campo das ciências (ditas) exactas, em Portugal, não é vista com o prestígio e a seriedade que deviam. Basta ver que um médico, sem grande esforço aufere mais de 2 mil euros por mês. Um físico que não seja brilhante, vive da esmola que a bolsa do estado dá! Escusado será dizer que se for brilhante, faz as malas e goodbye Portugal comment allez vous estrangeiro!? E depois, claro que há aquela imagem que o cientista é aquele gajo barbudo, velho e louco! Só um louco, um velho mesmo gágá, pode pensar que se pode fazer ciência (na acepção bruta da palavra) em Portugal!

Depois claro, o bom aluno, média de 19, pais ricos, da classe alta burguesa, até tem uma paixão pela cosmologia, até tem interesse pela astrofísica, até é um aluno brilhante a matemática, mas com as pressões da família, os estereótipos da sociedade (ser bom aluno sem se ir para medicina é uma oportunidade desperdiçada), o apoio que é dado à Ciência no nosso país e tudo o mais, fazem com que ele, ainda que algo relutante e duvidoso, entre para medicina.

Meus amigos, nós desperdiçamos dezenas de Stephen Hawking's e Albert Einstein's todos os anos! Podemos ter aniquilado o descobridor português da Teoria Unificadora das Forças. E, por causa disto, deitamos fora também milhares de pessoas com grande vocação para serem médicos, heróis salva-vidas, à custa de míseras décimas, por vezes! Há muita coisa injusta de facto nisto tudo, e há que se repensar muito nisto.

E tudo isto para dizer o quê? Vocês, que ainda estão no Secundário, ou até no Básico, ao fazerem as vossas opções, não olhem para aquilo que os outros fazem ou dizem ou que tem saída, mas para aquilo que vocês gostam de fazer. Acreditem no que eu vos digo. Serão mais felizes sendo bioquímicos orgulhosos do que sendo médicos frustrados. Fechem os olhos e pensem bem no vosso sonho. Concentrem-se nele, lutem por ele, e quando o agarrarem... Façam-se à vida!




Ok! Não liguem a nada do que eu disse! Não se pode acreditar no que um Astrólogo nos diz... Ah! Pois! Astronomia é diferente de Astrologia... Só para o caso de não saberem...

domingo, outubro 14, 2007

Al Gore: Prémio nobel da Paz!?

Al Gore foi nomeado prémio Nobel da Paz. As reacções oficiais deste blog, a seguir a um sonoro e interrogativo: "OI!?" foram:

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For Jesus Motherfucking Christ Sake! Até o Saddam Hussein foi mais pacífico que ele (pelo menos este ano foi!). Enfim, o ano passado estavam nomeados Bush e Blair, por isso esta academia já não me espanta nada! Mas, porque não dar o prémio ao Bono! O gajo já se anda a fazer à coisa há tanto tempo! Já era altura de lhe darem o prémio, pelo menos para ter mais tempo para fazer aquilo que realmente sabe... Dar concertos à malta!
Agora falando do Al Gore propriamente dito. Para além de andar a dar conferências de 1 milhão de euros por esse mundo, a alertar o mundo para os problemas ambientais provocados essencialmente por compatriotas dele, o que é que o tipo faz pela paz? É mais um dos hipócritas engravatadinhos que passeiam os seus sapatos engraxados pelo nosso chão imundo.
Enfim, espero que o homem faça por merecer o prémio.

(Nos comentários, desta vez, pede-se ao leitor que faça uma pequena composição a dizer o quanto gosta e admira (ou não!) o novo prémio Nobel da paz. P.e.: Não gosto do Al Gore, porque os boxers dele são de uma fibra sintética, em cujo fabrico são emitidos 30 Kg de CO2)

domingo, outubro 07, 2007

Evolução, o Homem, o Poder e a Máquina

Tudo, no Universo, se organiza de forma estruturada e hierarquizada, dos processos mais simples, aos mais complexos, da escala subatómica à imensidão do cosmos. Todos os processos ocorrem, também, de uma forma determinada e previsível, por exemplo , sabemos que dois corpos com cargas eléctricas iguais exercem sempre uma força repulsiva entre eles, e que dois corpos com massa exercem uma força atractiva entre eles, sempre igual ao produto da massa entre eles vezes a constante de gravitação G e a dividir pela distância ao quadrado. Sabemos também que uma molécula de água é sempre constituída por dois átomos de hidrogénio e um de oxigénio.
No entanto, no Universo, tudo tende a ficar mais complexo, e isso é notório, principalmente, em termos cronológicos. No início, no princípio de tudo, existia apenas a sopa cósmica, um aglomerado enorme de partículas subatómicas em grande actividade cinética, e energia. Mas a temperatura foi arrefecendo, e apareceram os primeiros núcleos atómicos. Só mais tarde, se lhes juntaram os electrões, e apareceram, então, os átomos mais simples: de Hidrogénio, Hélio e Lítio. O Universo expandia-se, e a sua complexidade aumentava também. Fez-se luz! Surgiram as estrelas, depois as galáxias e, um sem número de corpos, ainda muito estranhos para nós. E foi então que, seguindo essa lógica de complexização de processos, surgiu o sistema Solar, de entre milhares de milhões de sistemas, de milhares de milhões de galáxias, e surgiu a Terra, o "Terceiro calhau a contar do Sol".
No princípio a Terra não passava de uma bola de rocha efervescente, expelindo vapores, gases tóxicos e magma. Tudo pareceria, aos nossos olhos subjectivos, desordenado, confuso, apocalíptico e simples. Mas compare-se a estrutura complexa de um mineral, a um simples núcleo atómico, e apercebemo-nos da tanta evolução que já se passara. Compare-se a simplicidade de um mineral à complexidade da vida e vemos que ainda havia um longo caminho a percorrer... Surgiram as primeiras bactérias, depois, muitos milhares de milhões de anos mais tarde, os primeiros organismos pluricelulares, e, sensivelmente, uns tantos milhares de milhões de anos depois, surge o Homem.

Se se repararmos bem, o Homem não passa de um conjunto descomunal desses mesmos processos simples e determinados, que já referi. Atenção, a matéria que nos faz é tão boa ou tão má como a que compõe uma poça de lama (e uma poça de lama é um sistema extremamente complexo!). Os nossos electrões, protões e neutrões são exactamente iguais a todos os outros e as forças em nós exercidas são também as mesmas quatro fundamentais1 exercidas sobre todos os outros corpos. Mas há uma diferença. A complexidade na organização dos processos do homem é tanta e tão diversa, que aqueles processos tão simples deram origem a um sistema tão complexo, diverso, que se tornou completamente imprevisível, ou seja caótico!
É então, que esse ser caótico, começa a desenvolver a habilidade de criar coisas novas e vai desenvolvendo e construindo um novo mundo, tanto, ou mais caótico, que ele. Por ter essa nova habilidade, por ser tão complexo, começa a desenvolver em si, uma noção de controlo e poder. Uma noção, ilusória , de que pode criar, desenvolver e controlar tudo à sua volta. Mas que controlo, que poder é este que não conseguimos evitar algo que aos olhos da natureza é muito mais simples que a vida, a morte?
E, o Homem também se desenvolve e cresce com este novo mundo, tem também a capacidade de se auto-desenvolver, pagando, no entanto, o preço de ficar dependente, das suas tão preciosas coisas. Sim, tudo o que nos rodeia e que nós construimos, por mais estranho que nos pareça, são coisas, como todas as outras, têm tanto valor como uma pedra e são muito menos importantes que uma estrela. Mas nós, seres tão superiores, tão controladores, na nossa arrogância, esquecemo-nos que estamos dependentes dessas coisas e, então, desenvolvemos coisas cada vez mais complexas. Sentimos que somos agora nós que desempenhamos as funções que a natureza, o Universo, desempenhou durante 13 700 milhões de anos! Não estaremos, antes, a desempenhar as funções que o Universo deixou para nós?
Assustador!? Claro! Estamos tão seguros de nós, do nosso poder, do nosso domínio, que nos esquecemos de tudo o que nos trouxe até aqui, de tudo o que nos rodeia. É também esse poder, essa ambição, arrogância e ganância que nos leva aos ódios, às disputas, à violência, à guerra... Pode-nos levar à nossa auto-destruição!
Mas foi também essa ambição que nos fez saltar do fogo para a roda, da roda para a roda dentada, para a máquina a vapor, para a electricidade, para a computação, para a robótica. E agora, temos robots que constroem robots, programados por homens é certo, mas, vejam, já somos capazes de criar coisas que constroem outras coisas. E depois, vem a velha questão: A máquina ganhará a capacidade de se desenvolver sozinha, (sem a necessidade do Homem, saliente-se) e tentará tomar o "poder" que o Homem detém há milénios?

Penso que não. Porque é que o Homem luta? Porque é ambicioso, tem sede de poder. Mesmo que se programe a máquina para funções destrutivas, a máquina não tem desejo de poder, ou seja, destruirá apenas porque a programaram para tal. Não ambiciona chegar ao poder. É algo que não se pode programar, nem se consegue desenvolver num autómato.
No entanto, ironicamente, o Homem já deu o poder à máquina. Na nossa dependência tão forte das coisas que críamos, há muito que entregámos o poder às máquinas. Nós precisamos de máquinas não só para os cálculos complexos, mas para coisas tão simples como nos deslocarmos, nos divertirmos, para trabalharmos, para fazerem as nossas roupas, para limparmos as nossas casas, para lavarem as nossas roupas, para conservar e fazer a nossa comida, para comunicarmos. Já viram que, sem sabermos, sem haver a tão recorrentemente enunciada, guerra do Homem vs Máquina, as máquinas nos ganharam o nosso adorável poder?

Perdemos, meus amigos, nós perdemos porque fomos ambiciosos demais e, então, sacrificámos algo que julgávamos impossível nos tirar, Nós sacrificámos a nossa liberdade à tecnologia. Vendemos, aquilo que temos de mais parecido com o poder, para nos tornarmos mais "evoluídos" e "desenvolvidos". Por isso, nós não nos paramos de surpreender. De tão complexos e imprevisíveis que somos, somos a espécie mais abominável à superfície da Terra, continuamos no entanto, a acharmo-nos a espécie mais adorável e perfeita... Quando, no entanto, não passamos de CAOS!!!